Pesquisa · OEE e indicadores industriais

O OEE não anda sozinho. 2 bilhões de itens mostram com quem ele anda.

Medimos 25 linhas de produção durante 285 dias e cruzamos o OEE com segurança, manutenção, qualidade e matéria-prima. Alguns resultados confirmam o que todo gestor imagina. Outros contrariam o que muita gente ainda acredita.

Por H2W Systems · Baseado na dissertação de mestrado de Jonas de Souza, fundador da H2W (FACCAMP, 2017) · Leitura de 8 minutos

A pesquisa em números

Dados de máquina, não de planilha

Nada de questionário ou opinião: os dados vieram direto dos CLPs das linhas, coletados automaticamente pelo software ProMOS®, e dos registros feitos pelos próprios operadores. Tudo foi agrupado por dia e testado estatisticamente.

2,03 biitens bons produzidos
25linhas de produção de indústrias brasileiras
285dias de produção analisados (jan–out)
5,6 miminutos de tempo planejado de produção
49.424paradas não programadas registradas
1.855observações de segurança
21.607etiquetas de manutenção abertas
522itens por minuto: a cadência média das linhas
1. Coleta automáticaContadores enviados a cada 10 minutos; paradas registradas no momento em que aconteciam.
2. ApontamentoOperadores ligavam a produção às ordens e registravam segurança e manutenção.
3. Banco de dadosTudo consolidado em SQL Server e agrupado em 285 registros diários.
4. EstatísticaCorrelação linear para dados normais e de Spearman para os demais.
O retrato das linhas

A maior perda não estava nas paradas. Estava na velocidade.

Somando todos os dados, o OEE ficou em 69,4%. Abrindo os três fatores, aparece o que quase nenhuma luz vermelha mostra: a linha perdeu mais tempo rodando devagar do que parada.

87,1%Disponibilidade
×
80,0%Performance
×
99,5%Qualidade
=
69,4%OEE

A cada 100 minutos planejados, para onde foi o tempo?

69 min viraram produto bom
17 lentidão
13 parada
69,4minutos de produto bom, na cadência ideal
17,4minutos perdidos rodando abaixo da cadência
12,9minutos de paradas não programadas
0,35minuto produzindo refugo

E o TEEP? Das horas do calendário, as linhas foram usadas para produzir em 56,9% delas. Multiplicando pelo OEE, o TEEP fica em 39,5%. Os dois números estão certos — eles só respondem perguntas diferentes. Já voltamos a isso.

O placar

Oito suspeitos. Cinco com ligação comprovada.

Para cada indicador, a pergunta foi a mesma: nos dias em que ele subiu, o OEE subiu ou caiu junto? O coeficiente r vai de −1 a +1. Quanto mais longe do zero, mais forte a ligação. O sinal diz se andam juntos (+) ou em sentidos opostos (−).

−10+1
As descobertas

Seis coisas que os dados contaram

r = 0,94
87%

Processo estável e linha eficiente são a mesma conversa

A capabilidade do processo explicou 87% da variação do OEE (R² = 0,87). É a ligação mais forte do estudo, agora confirmada com dados reais de produção e não só em simulação. Processo que oscila menos para menos, roda mais rápido e refuga menos.

r = −0,70
MTTR

Voltar rápido pesou mais do que parar pouco

O tempo médio de reparo teve associação mais forte com o OEE do que o tempo entre falhas (MTBF, r = 0,56). Em linhas de alta velocidade, cada parada cobra duas vezes: no tempo parado e na curva de aceleração até a linha voltar à cadência e à qualidade.

r = +0,19
+ Seg.

Mais observações de segurança, OEE maior

Ao contrário do que alguns gestores temem, os dias com mais observações de segurança tiveram OEE mais alto, não mais baixo. Cuidar de segurança não gerou mais paradas, menos velocidade nem mais refugo.

r = 0,03
Etiquetas

Registrar defeito não derrubou a produção

Dias com muitas etiquetas de manutenção abertas não tiveram OEE menor. Quando registrar é fácil e rápido, o operador aponta o problema sem perder o foco na linha — e o defeito vai para a fila certa.

r = −0,09
Mat.-prima

Medir só a perda física engana

A perda de matéria-prima não teve associação com o OEE. Quem mede produtividade só pelo que vai para o lixo não enxerga o tempo: com cadência média de 522 itens por minuto, cada minuto parado eram 522 itens que deixaram de existir.

r = 0,03
TEEP

TEEP não é OEE com outro nome

Praticamente nenhuma associação. O TEEP inclui o tempo em que a linha nem estava programada; o OEE mede quão bem ela rodou quando deveria rodar. Usar um no lugar do outro gera comparações injustas entre turnos e linhas.

Correlação mostra que dois indicadores andam juntos; não prova sozinha quem causa quem. Por isso cada achado vem com a explicação de chão de fábrica.

Faça o teste

Quanto uma parada custa depois que a linha volta?

Na média da pesquisa, a linha rodava 84 minutos entre falhas e levava 15 minutos para voltar. O que pouca gente conta é a rampa: depois de religar, a máquina leva um tempo até alcançar a cadência. Esse pedaço cai na performance, não na disponibilidade.

Itens perdidos com a linha parada0
Itens perdidos na rampa (invisível)0
Perda total por turno0
Parte da perda escondida na performance0%

Rampa considerada linear, da velocidade inicial até a cadência ideal. Valores ilustrativos.

O mapa completo

Todas as ligações, num só quadro

Depois das oito hipóteses, cruzamos todos os indicadores entre si: 36 pares. Toque ou passe o mouse em um quadrado para ler o que ele diz.

andam juntossentidos opostossem ligação estatística
Escolha um parr

A segurança, por exemplo, apareceu ligada não só ao OEE, mas também à capabilidade do processo, ao MTBF e ao TEEP. E o MTTR se ligou ao índice de rejeição: depois de uma parada, a linha costuma precisar de ajuste — e é aí que nasce o refugo.

Cuidado com o atalho

Como cada indicador engana quando usado sozinho

A pesquisa também comparou os indicadores que as fábricas costumam usar para medir produtividade. Todos têm valor. Nenhum, isolado, conta a história inteira.

Armadilha

Quantidade produzida

O turno que fez a troca de produto sempre parece pior que o seguinte, que já pegou a linha pronta. Compara volume, não eficiência.

Armadilha

Índice de rejeito

Dá para melhorar parando a linha a cada suspeita ou rodando mais devagar. O refugo cai; a produtividade cai junto.

Armadilha

Paradas (quantidade ou tempo)

Uma linha pode passar o turno inteiro sem parar — rodando abaixo da cadência ou produzindo defeito.

Armadilha

TEEP como eficiência

Uma reunião geral ou uma preventiva programada derrubam o TEEP do turno, mesmo que a operação tenha sido perfeita.

Armadilha

PE com paradas programadas dentro

Penaliza quem fez setup. O rateio ajuda, mas um ótimo período ainda pode ser contaminado por apontamentos anteriores.

Próximo nível

Aderência ao plano + OEE

Para quem já domina o OEE: o plano prevê cada minuto da máquina, e a aderência controla também os tempos que o OEE não enxerga.

De 2017 para hoje

O que essa pesquisa mudou na forma como construímos o ProMOS®

Os dados mostraram que o OEE é resultado de um sistema. Por isso, desde então, o ProMOS® coloca na mesma base os indicadores que andam junto com ele.

Manutenção conectada à produção

MTTR e MTBF saem das mesmas paradas que alimentam o OEE. O CMMS e o MES do ProMOS® compartilham esse dado, sem redigitação.

Capabilidade à vista do operador

Com r = 0,94, estabilidade de processo é assunto de produção. O CEP do QualityWeb mostra a variação em tempo real, por produto.

Segurança como hábito, não como freio

Observações registradas no SSMA não roubaram produtividade. Registro fácil, direto do chão de fábrica, faz a cultura crescer sem parar a linha.

Etiqueta em segundos

O resultado das etiquetas mostrou o valor de um registro rápido. No LABEL, a anomalia é aberta em segundos e segue direto para quem resolve.

Um indicador imune a ajustes

Dado captado do CLP e validado na entrada impede que perda de velocidade vire “parada programada” no papel. O número tem que ser confiável antes de ser bonito.

O indicador certo para o momento certo

OEE para a operação, TEEP para a capacidade, aderência ao plano para quem já está maduro. Ajudamos a escolher na Consultoria OEE.

H2W Systems · pesquisa aplicada + 20 anos de chão de fábrica

Para ler com rigor

Os limites do estudo

Correlação não é causalidade: os testes mostram que os indicadores andam juntos, não quem puxa quem.
As linhas eram de alta velocidade (média de 522 itens/min). Em linhas lentas, o peso da rampa após a parada tende a ser menor.
A maioria das empresas já usava OEE havia anos e tinha gestão madura. Fábricas no início da jornada podem mostrar outro padrão.
Dados de 2017, agrupados por dia. Observações e etiquetas podem ser abertas para qualquer área da fábrica, não só para a linha.

Fonte: SOUZA, Jonas de. Eficiência Geral de Equipamento (OEE): um estudo da associação entre o OEE e outros indicadores da atividade produtiva. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) — Faculdade Campo Limpo Paulista (FACCAMP), 2017. Orientador: Prof. Dr. Manuel Meireles.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre OEE e outros indicadores

O OEE tem relação com segurança do trabalho?

Na pesquisa, sim: os dias com mais observações de segurança registradas tiveram OEE mais alto (Spearman r = 0,19, significativo a 1%). Cuidar de segurança não gerou mais paradas, perda de velocidade ou refugo nas linhas estudadas.

Qual a relação entre OEE, MTBF e MTTR?

Ambos se associaram fortemente ao OEE: MTBF maior (r = 0,56) e MTTR menor (r = −0,70) andaram junto com OEE maior. O MTTR teve a ligação mais forte porque, em linhas rápidas, cada parada também afeta a performance e a qualidade durante a retomada.

OEE e TEEP são a mesma coisa?

Não. O TEEP multiplica o OEE pela utilização do calendário e é afetado por períodos sem produção programada. Na pesquisa, os dois não tiveram associação significativa (r = 0,03). Use o OEE para medir a eficiência da operação e o TEEP para medir o uso da capacidade.

A capabilidade do processo influencia o OEE?

Foi a associação mais forte do estudo: r = 0,94, com 87% da variação do OEE explicada pela capabilidade do processo. Processos estáveis tendem a parar menos, rodar mais perto da cadência e gerar menos refugo.

Qual é o melhor indicador para medir produtividade industrial?

Depende da realidade e do nível de maturidade da fábrica. O indicador deve permitir comparações justas entre turnos, linhas, operadores e produtos e, acima de tudo, ser confiável: com cálculo conhecido, aceito por todos e imune a ajustes. Para a maioria das operações, o OEE aberto em disponibilidade, performance e qualidade é o ponto de partida.

Quer ver esses indicadores juntos na sua fábrica?

O ProMOS® reúne MES, CMMS, CEP, segurança e etiquetas numa base só — com o OEE calculado a partir do dado da máquina. Comece pelo guia “O que é OEE” ou fale com a gente.