O OEE não anda sozinho. 2 bilhões de itens mostram com quem ele anda.
Medimos 25 linhas de produção durante 285 dias e cruzamos o OEE com segurança, manutenção, qualidade e matéria-prima. Alguns resultados confirmam o que todo gestor imagina. Outros contrariam o que muita gente ainda acredita.
Dados de máquina, não de planilha
Nada de questionário ou opinião: os dados vieram direto dos CLPs das linhas, coletados automaticamente pelo software ProMOS®, e dos registros feitos pelos próprios operadores. Tudo foi agrupado por dia e testado estatisticamente.
A maior perda não estava nas paradas. Estava na velocidade.
Somando todos os dados, o OEE ficou em 69,4%. Abrindo os três fatores, aparece o que quase nenhuma luz vermelha mostra: a linha perdeu mais tempo rodando devagar do que parada.
A cada 100 minutos planejados, para onde foi o tempo?
E o TEEP? Das horas do calendário, as linhas foram usadas para produzir em 56,9% delas. Multiplicando pelo OEE, o TEEP fica em 39,5%. Os dois números estão certos — eles só respondem perguntas diferentes. Já voltamos a isso.
Oito suspeitos. Cinco com ligação comprovada.
Para cada indicador, a pergunta foi a mesma: nos dias em que ele subiu, o OEE subiu ou caiu junto? O coeficiente r vai de −1 a +1. Quanto mais longe do zero, mais forte a ligação. O sinal diz se andam juntos (+) ou em sentidos opostos (−).
Seis coisas que os dados contaram
Processo estável e linha eficiente são a mesma conversa
A capabilidade do processo explicou 87% da variação do OEE (R² = 0,87). É a ligação mais forte do estudo, agora confirmada com dados reais de produção e não só em simulação. Processo que oscila menos para menos, roda mais rápido e refuga menos.
Voltar rápido pesou mais do que parar pouco
O tempo médio de reparo teve associação mais forte com o OEE do que o tempo entre falhas (MTBF, r = 0,56). Em linhas de alta velocidade, cada parada cobra duas vezes: no tempo parado e na curva de aceleração até a linha voltar à cadência e à qualidade.
Mais observações de segurança, OEE maior
Ao contrário do que alguns gestores temem, os dias com mais observações de segurança tiveram OEE mais alto, não mais baixo. Cuidar de segurança não gerou mais paradas, menos velocidade nem mais refugo.
Registrar defeito não derrubou a produção
Dias com muitas etiquetas de manutenção abertas não tiveram OEE menor. Quando registrar é fácil e rápido, o operador aponta o problema sem perder o foco na linha — e o defeito vai para a fila certa.
Medir só a perda física engana
A perda de matéria-prima não teve associação com o OEE. Quem mede produtividade só pelo que vai para o lixo não enxerga o tempo: com cadência média de 522 itens por minuto, cada minuto parado eram 522 itens que deixaram de existir.
TEEP não é OEE com outro nome
Praticamente nenhuma associação. O TEEP inclui o tempo em que a linha nem estava programada; o OEE mede quão bem ela rodou quando deveria rodar. Usar um no lugar do outro gera comparações injustas entre turnos e linhas.
Correlação mostra que dois indicadores andam juntos; não prova sozinha quem causa quem. Por isso cada achado vem com a explicação de chão de fábrica.
Quanto uma parada custa depois que a linha volta?
Na média da pesquisa, a linha rodava 84 minutos entre falhas e levava 15 minutos para voltar. O que pouca gente conta é a rampa: depois de religar, a máquina leva um tempo até alcançar a cadência. Esse pedaço cai na performance, não na disponibilidade.
Rampa considerada linear, da velocidade inicial até a cadência ideal. Valores ilustrativos.
Todas as ligações, num só quadro
Depois das oito hipóteses, cruzamos todos os indicadores entre si: 36 pares. Toque ou passe o mouse em um quadrado para ler o que ele diz.
A segurança, por exemplo, apareceu ligada não só ao OEE, mas também à capabilidade do processo, ao MTBF e ao TEEP. E o MTTR se ligou ao índice de rejeição: depois de uma parada, a linha costuma precisar de ajuste — e é aí que nasce o refugo.
Como cada indicador engana quando usado sozinho
A pesquisa também comparou os indicadores que as fábricas costumam usar para medir produtividade. Todos têm valor. Nenhum, isolado, conta a história inteira.
Quantidade produzida
O turno que fez a troca de produto sempre parece pior que o seguinte, que já pegou a linha pronta. Compara volume, não eficiência.
Índice de rejeito
Dá para melhorar parando a linha a cada suspeita ou rodando mais devagar. O refugo cai; a produtividade cai junto.
Paradas (quantidade ou tempo)
Uma linha pode passar o turno inteiro sem parar — rodando abaixo da cadência ou produzindo defeito.
TEEP como eficiência
Uma reunião geral ou uma preventiva programada derrubam o TEEP do turno, mesmo que a operação tenha sido perfeita.
PE com paradas programadas dentro
Penaliza quem fez setup. O rateio ajuda, mas um ótimo período ainda pode ser contaminado por apontamentos anteriores.
Aderência ao plano + OEE
Para quem já domina o OEE: o plano prevê cada minuto da máquina, e a aderência controla também os tempos que o OEE não enxerga.
O que essa pesquisa mudou na forma como construímos o ProMOS®
Os dados mostraram que o OEE é resultado de um sistema. Por isso, desde então, o ProMOS® coloca na mesma base os indicadores que andam junto com ele.
Manutenção conectada à produção
MTTR e MTBF saem das mesmas paradas que alimentam o OEE. O CMMS e o MES do ProMOS® compartilham esse dado, sem redigitação.
Capabilidade à vista do operador
Com r = 0,94, estabilidade de processo é assunto de produção. O CEP do QualityWeb mostra a variação em tempo real, por produto.
Segurança como hábito, não como freio
Observações registradas no SSMA não roubaram produtividade. Registro fácil, direto do chão de fábrica, faz a cultura crescer sem parar a linha.
Etiqueta em segundos
O resultado das etiquetas mostrou o valor de um registro rápido. No LABEL, a anomalia é aberta em segundos e segue direto para quem resolve.
Um indicador imune a ajustes
Dado captado do CLP e validado na entrada impede que perda de velocidade vire “parada programada” no papel. O número tem que ser confiável antes de ser bonito.
O indicador certo para o momento certo
OEE para a operação, TEEP para a capacidade, aderência ao plano para quem já está maduro. Ajudamos a escolher na Consultoria OEE.
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Os limites do estudo
Fonte: SOUZA, Jonas de. Eficiência Geral de Equipamento (OEE): um estudo da associação entre o OEE e outros indicadores da atividade produtiva. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) — Faculdade Campo Limpo Paulista (FACCAMP), 2017. Orientador: Prof. Dr. Manuel Meireles.
Dúvidas sobre OEE e outros indicadores
O OEE tem relação com segurança do trabalho?
Na pesquisa, sim: os dias com mais observações de segurança registradas tiveram OEE mais alto (Spearman r = 0,19, significativo a 1%). Cuidar de segurança não gerou mais paradas, perda de velocidade ou refugo nas linhas estudadas.
Qual a relação entre OEE, MTBF e MTTR?
Ambos se associaram fortemente ao OEE: MTBF maior (r = 0,56) e MTTR menor (r = −0,70) andaram junto com OEE maior. O MTTR teve a ligação mais forte porque, em linhas rápidas, cada parada também afeta a performance e a qualidade durante a retomada.
OEE e TEEP são a mesma coisa?
Não. O TEEP multiplica o OEE pela utilização do calendário e é afetado por períodos sem produção programada. Na pesquisa, os dois não tiveram associação significativa (r = 0,03). Use o OEE para medir a eficiência da operação e o TEEP para medir o uso da capacidade.
A capabilidade do processo influencia o OEE?
Foi a associação mais forte do estudo: r = 0,94, com 87% da variação do OEE explicada pela capabilidade do processo. Processos estáveis tendem a parar menos, rodar mais perto da cadência e gerar menos refugo.
Qual é o melhor indicador para medir produtividade industrial?
Depende da realidade e do nível de maturidade da fábrica. O indicador deve permitir comparações justas entre turnos, linhas, operadores e produtos e, acima de tudo, ser confiável: com cálculo conhecido, aceito por todos e imune a ajustes. Para a maioria das operações, o OEE aberto em disponibilidade, performance e qualidade é o ponto de partida.
Quer ver esses indicadores juntos na sua fábrica?
O ProMOS® reúne MES, CMMS, CEP, segurança e etiquetas numa base só — com o OEE calculado a partir do dado da máquina. Comece pelo guia “O que é OEE” ou fale com a gente.